Foto: Tiago Queiroz/Estadão


A educação de Sobral foi destaque no Jornal O Estado de São Paulo, nesta quarta-feira (23/10), na reportagem especial “Crianças que leem”. A equipe de reportagem ouviu pais, diretores, coordenadores, estudantes, acompanhou aulas e preparou textos, fotos, vídeos e podcast. O município foi escolhido por ter os estudantes com os melhores níveis de aprendizagem de leitura, escrita e matemática, segundo a última Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA).

Nas escolas, a equipe de jornalistas e fotógrafos acompanhou a rotina dos educadores e estudantes e presenciou momentos como a “chamada de leitura” feita diariamente. Numa mesinha fora da sala, a coordenadora pedagógica entrega um texto e o estudante lê e são avaliados o ritmo, velocidade e compreensão do texto. Assim, a escola tem um levantamento detalhado e individual sobre quais habilidades o aluno já aprendeu de modo satisfatório e quais precisam ser reforçadas em sala de aula.
 
Leia o trecho da reportagem:

O município de Sobral, no Ceará, tem os melhores resultados do País em alfabetização em um ranking de municípios com mais de mil alunos, também tabulado pelo Estado. Sua já conhecida escalada para uma educação pública de qualidade começou justamente com um plano para garantir que as crianças aprendessem a ler e escrever. Nos anos 90 mais de 50% das crianças da cidade não se alfabetizavam. Esse projeto incluiu fortemente a consciência fonêmica, mas sem preconceito a outras metodologias.
 
A professora Dorenice Mendes de Araujo faz praticamente um show na frente da sala para chamar a atenção das crianças para o som do “L” no fim da palavra papel. Mas ao mesmo tempo, as crianças sugerem palavras para serem escritas em sala que elas usam em casa, no dia a dia. “Método Paulo Freire, né?”, diz a diretora da mesma escola em que Dorenice dá aulas, Ana Carla Siebra. O educador, que tem recebido críticas sistemáticas do governo Bolsonaro, defendia justamente que adultos analfabetos, em vez de usar as antigas cartilhas, fossem alfabetizados com palavras já conhecidas, como tijolo e plantação.

“A gente vê com muita preocupação essa polêmica, não faz sentido discutir método. Compreender o método e extrair dele o que é mais importante sim, é estratégico, é fundamental”, diz o secretário de Educação de Sobral, Hebert Lima. Segundo ele, a cidade usa um modelo híbrido, que incentiva muito a leitura desde a educação infantil, mas com bastante importância dada ao reconhecimento do som das letras. Dependendo da série, a cidade dá mais ênfase ao método fônico, em outras, busca mais um ensino construtivista.


No entanto, o método usado para a alfabetização está longe de ser a razão do sucesso de Sobral. O sistema implementado ao longo de anos inclui uma formação mensal dos professores sobre as melhores práticas, avaliações constantes das crianças para identificar e corrigir problemas de aprendizagem e uma gestão baseada em mérito, que trabalha para que o ensino seja eficiente. Além disso, houve uma continuidade das políticas educacionais ao longo de duas décadas, algo raro nas administrações de municípios e Estados no País.


“Você chega numa escola em Sobral e a escola pode não ter um luxo aparente, mas tem livro para todo mundo, tem um professor atento, controle absoluto de absenteísmo docente, as mães e as crianças chegam na escola e são todas contadinhas”, diz Ilona, que fez uma tese de doutorado sobre o sistema de ensino da cidade. Mesmo sendo uma defensora do método fônico, ela enumera outras questões que fizeram Sobral ser Sobral. “Existe um respeito aos profissionais da educação lá que é fantástico, é uma equipe extremamente coesa, com rígido controle pedagógico, mas feito para as pessoas darem o melhor de si”.


- Leia a reportagem na íntegra aqui.
- Ouça o podcast aqui.